A sustentabilidade financeira é um dos maiores desafios enfrentados pelos hospitais, que precisam lidar com aumento de custos, demanda crescente e pressões por agilidade.
O equilíbrio entre reduzir despesas e manter a qualidade do atendimento é uma tarefa complexa, que exige mais do que simples cortes orçamentários. É preciso adotar estratégias inteligentes, com foco em planejamento e visão de longo prazo.
O uso de tecnologia e dados também se torna um aliado indispensável para otimizar processos e apoiar decisões assertivas. Além disso, o engajamento de equipes e a inovação nos modelos de gestão contribuem para resultados sustentáveis.
Neste artigo, reunimos reflexões e soluções práticas compartilhadas por Romeu Freitas, Beneficência Portuguesa de São Paulo, Dr. Raphael Oliveira, Hospital Nove de Julho e pelo Dr. Douglas Serio, do Hospital Leforte Liberdade, no décimo episódio do podcast Health Ideas –
Sustentabilidade financeira na gestão hospitalar: equilíbrio entre custos e qualidade. Acompanhe!
Por que a sustentabilidade financeira é um desafio na saúde?
A sustentabilidade financeira é um desafio central para hospitais e clínicas, que precisam equilibrar demandas assistenciais crescentes com restrições de receita. O setor opera sob forte pressão de gastos, exigências regulatórias e expectativas de qualidade.
Nesse cenário, entender os fatores que comprometem a saúde financeira das instituições ajuda a buscar soluções duradouras. A seguir, explicamos cada um deles.
Aumento constante dos custos operacionais
Os hospitais lidam com o aumento de gastos a todo momento. Insumos médicos sofrem variações de preço frequentes, a contratação e retenção de mão de obra qualificada exigem altos investimentos e as tecnologias que garantem qualidade assistencial tornam a operação mais onerosa.
O cumprimento de normas e exigências regulatórias acrescentam despesas que precisam ser inseridas no orçamento.
Nesse cenário, Romeu Freitas, da Beneficência Portuguesa de São Paulo, ressalta:
“Temos uma série de variáveis nessa equação que não é fácil e ações que não conversam entre si. Uma agência reguladora, uma operadora e um prestador de serviços muitas vezes não estão alinhados e esse é o nosso papel como gestor, tentar encaixar esse quebra-cabeça”.
Receitas pressionadas por glosas e tabelas defasadas
Grande parte da receita hospitalar depende de convênios e do SUS, que pagam valores muitas vezes inferiores ao custo real dos procedimentos. As glosas médicas representam outro desafio, diminuindo o faturamento e comprometendo o fluxo de caixa.
Essa defasagem entre gasto e receita gera pressão sobre a sustentabilidade financeira das instituições, gerando um desequilíbrio que exige gestão ativa para evitar prejuízos.
O Dr. Raphael Oliveira, do Hospital Nove de Julho, afirma que é preciso repensar a forma de encarar o equilíbrio entre custos e excelência.
“Nós, líderes do setor da saúde, devemos ter um olhar estratégico para entender que a sustentabilidade financeira é chave para o avanço e mudar o nosso mindset sobre como conseguir ofertar saúde de qualidade a um preço acessível”.
Falta de previsibilidade e controle orçamentário
Gerenciar instituições de alta complexidade sem acesso a dados financeiros em tempo real é um grande obstáculo. Muitas vezes, os gestores não conseguem ter clareza sobre margens, despesas e desempenho operacional.
Essa falta de previsibilidade compromete as decisões, dificultando ajustes rápidos para corrigir desvios. A ausência de softwares de monitoramento ágil gera riscos e minimiza a eficácia do gerenciamento.
Falta de alinhamento entre planejamento estratégico e gestão financeira
Em muitas instituições, a gestão de gastos ainda ocorre reativamente, sem integração com os objetivos estratégicos, o que significa que as decisões financeiras não são pensadas em conjunto com metas de qualidade assistencial ou expansão de serviços.
A falta de alinhamento compromete investimentos inteligentes, aumenta riscos operacionais e pode prejudicar a sustentabilidade no longo prazo. Por isso, integrar estratégia e finanças fortalece o gerenciamento hospitalar.
Estratégias para alcançar a sustentabilidade financeira na saúde
Alcançar a sustentabilidade financeira na saúde requer visão inteligente, integração entre áreas e uso de tecnologia para apoiar decisões. Confira algumas estratégias que fortalecem esse caminho:
Avaliação de custos por linha de cuidado
Mapear e analisar os gastos de cada etapa do atendimento ajuda a identificar onde estão os principais impactos financeiros. Assim, os líderes diminuem excessos, renegociam contratos e redirecionam recursos de forma mais precisa.
Essa prática evita cortes cegos que comprometem a excelência e possibilita uma comparação entre linhas de cuidado para buscar maior rapidez.
Integração entre setores clínicos e administrativos
Quando as áreas trabalham isoladamente, aumentam os riscos de retrabalho, desperdício de insumos e escolhas sem base em dados completos.
A integração entre setores garante que informações clínicas e administrativas circulem fluidamente, melhorando o planejamento, a comunicação e o aproveitamento de recursos.
Indicadores para monitorar desempenho financeiro
Indicadores como custo por paciente, glosas evitadas, ticket médio e margem operacional oferecem uma visão clara sobre eficácia e rentabilidade.
Com informações em tempo real, os gestores podem antecipar problemas e agir preventivamente. O uso de métricas fortalece a cultura de gerenciamento baseada em evidências.
Uso de sistemas integrados de gestão hospitalar
A tecnologia é aliada indispensável para consolidar dados de diferentes áreas em um único ambiente. Sistemas integrados de gestão cruzam informações financeiras, assistenciais e operacionais, dando aos gestores uma visão geral e facilitando decisões mais assertivas.
Além de diminuir falhas manuais, essas soluções aumentam a transparência e o controle sobre os processos.
Como equilibrar eficiência financeira e qualidade assistencial?
O gerenciamento moderno deve conciliar recursos limitados com a entrega de cuidado seguro, resolutivo e humanizado, o que só é possível quando processos, equipes e protocolos caminham integradamente.
Confira abaixo orientações importantes:
Redesenho de processos com foco no paciente
Revisar fluxos de atendimento para torná-los mais simples e objetivos é uma estratégia que gera impacto direto. Ao eliminar etapas desnecessárias, a instituição minimiza desperdícios e otimiza o uso dos recursos. Assim, o paciente também percebe mais agilidade e resolutividade em sua jornada.
Engajamento da equipe assistencial com os resultados
As decisões financeiras não devem ficar restritas ao administrativo. Médicos, enfermeiros e demais profissionais precisam entender como suas escolhas influenciam custos e desfechos.
Ao envolver o time nos resultados, cria-se uma cultura de corresponsabilidade, motivando os profissionais a buscarem soluções mais rápidas sem perder a excelência.
Padronização de protocolos clínicos baseados em evidência
A adoção de protocolos bem definidos garante que os cuidados sejam seguros e consistentes. Essa padronização evita variações desnecessárias nos tratamentos, que elevam os valores sem trazer benefícios ao paciente.
Baseados em evidências, os protocolos contribuem para melhores desfechos assistenciais, além de aumentar a previsibilidade de recursos utilizados.
Qual o papel da tecnologia na sustentabilidade financeira?
A inovação tornou-se uma peça central para garantir a saúde financeira das instituições, conectando áreas, trazendo dados confiáveis e auxiliando em escolhas mais inteligentes. Abaixo, conheça as principais importâncias da tecnologia na sustentabilidade.
Controle de estoque e insumos em tempo real
Sistemas integrados de gestão hospitalar acompanham o uso de insumos precisamente. Com isso, é possível evitar desperdícios, perdas por vencimento e compras desnecessárias.
A digitalização também facilita a previsão de demandas conforme à sazonalidade e o histórico de consumo. Esse controle fortalece a sustentabilidade financeira, pois, alinha consumo real e planejamento.
Prontuário eletrônico para reduzir retrabalho e glosas
O uso do prontuário eletrônico padroniza os dados assistenciais e garante maior confiabilidade nos registros. Dessa forma, minimiza falhas na cobrança e glosas médicas, que comprometem a receita hospitalar e elimina retrabalhos administrativos, melhorando a rastreabilidade das informações.
Automação de tarefas administrativas
Automatizar tarefas como agendamentos, autorizações, faturamento e cobranças aumenta a produtividade e reduz custos operacionais. Os colaboradores deixam de gastar tempo com atividades repetitivas e se dedicam às de maior valor estratégico.
Monitoramento de indicadores financeiros em dashboards inteligentes
Com dashboards inteligentes, os gestores acompanham em tempo real indicadores como ticket médio, custo por atendimento e índices de inadimplência.
Essa visão clara e consolidada acelera a tomada de decisão e possibilita ajustes imediatos. O acesso rápido aos dados reduz riscos e fortalece a previsibilidade financeira.
Sobre esse equilíbrio entre tecnologia e gestão, o Dr. Douglas Serio, do Hospital Leforte Liberdade, destaca:
“O nosso desafio é entender onde precisamos da tecnologia e quando necessitamos dos profissionais para que todos os processos sejam executados com eficiência e, assim, continuar medindo os indicadores, para que seja possível definir qual é o melhor índice.”
A sustentabilidade financeira na saúde tem como base decisões consistentes no dia a dia, não só cortes pontuais em momentos de crise. Quando a instituição passa a conhecer seus custos em detalhe, conectar áreas e usar dados confiáveis, fica mais fácil equilibrar orçamento e qualidade assistencial. A tecnologia apoia esse caminho ao organizar informações, reduzir desperdícios e dar previsibilidade para o planejamento.
Mais do que um destino, sustentabilidade financeira é um processo de revisão de processos, metas e prioridades. Os gestores que olham para estoques, indicadores e integração de sistemas com regularidade conseguem reagir mais rápido a mudanças do contexto.
>> Para aprofundar essa discussão e conhecer diferentes perspectivas sobre os desafios e soluções em saúde, confira o episódio completo do tema clicando aqui!
FAQ – Sustentabilidade financeira na saúde
1. O que é sustentabilidade financeira na saúde?
É a capacidade de manter a operação funcionando no longo prazo, pagando contas e investindo com regularidade. No contexto hospitalar, significa equilibrar custos, receitas e investimentos sem comprometer a qualidade do atendimento.
2. Por que a sustentabilidade financeira é importante para hospitais e clínicas?
Sem sustentabilidade financeira, a instituição perde capacidade de investir em tecnologias, equipes e infraestrutura. Isso afeta a segurança do paciente, a qualidade do cuidado e a continuidade dos serviços prestados à população.
3. Quais estratégias ajudam a alcançar a sustentabilidade financeira na saúde?
Conhecer os custos por linha de cuidado, integrar áreas clínicas e administrativas e monitorar indicadores financeiros constantemente. Sistemas de gestão integrados, revisão de processos e redução de desperdícios completam essa construção, sempre com foco em manter a qualidade assistencial.
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