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Médico do futuro: a IA vai substituir o radiologista?

Por Entrevista com Dr. Mauro Brandão em 4 de agosto de 2021

Quando falamos em Inteligência Artificial (IA) na saúde, muitos profissionais adotam uma postura cautelosa, incertos sobre os impactos dessa tecnologia no atendimento médico. Alguns acreditam, por exemplo, que o uso de soluções com IA reduz a humanização no cuidado ao paciente e representa uma ameaça aos radiologistas, que gradualmente seriam substituídos. Mas será esse mesmo o destino do médico do futuro?

Para entender melhor o que aguarda os radiologistas e como as instituições podem se preparar para a adoção de tecnologias com IA, nós conversamos com o Dr. Mauro Brandão, presidente da Sociedade Paulista de Radiologia e Diagnóstico por Imagem. Confira a entrevista a seguir.

 

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Dr. Mauro Brandão fala sobre o futuro dos médicos radiologistas

 

1. O Sr. acredita que a IA poderá substituir o papel do radiologista algum dia? Como imagina a atuação do médico do futuro?

— Não acredito que a IA irá substituir os médicos radiologistas em qualquer momento. Entendo que essa tecnologia pode nos ajudar a exercer melhor nosso papel ao aprimorar as condições para um diagnóstico mais eficaz, preciso e rápido. Em outras palavras, a IA pode ser de grande contribuição para a prática médica dos radiologistas.

Observo a IA como uma ferramenta de trabalho importante para tornar o profissional radiologista mais relevante na cena de Diagnóstico por Imagem. Aliás, tendo em vista que a atuação do médico radiologista já é beneficiada por tecnologias com IA, certamente imagino que no futuro essa interação ocorrerá de forma mais ampla, beneficiando cada vez mais a prática médica e o atendimento dos pacientes.

 

2. Como os sistemas de IA podem contribuir para aumentar a segurança dos pacientes e a eficiência médica?

— Ao funcionar como uma ferramenta de análise eficaz dentro dos programas do sistema de trabalho da estrutura do Diagnóstico por Imagem, a IA permite maior eficiência na investigação, fornecendo melhores evidências durante os exames de uma forma mais rápida. Com isso, os diagnósticos fornecidos por esses programas se tornam muito úteis para apoiar o radiologista em suas decisões.

 

3. Muitos profissionais associam negativamente o uso da IA com a robotização da saúde. O Sr acredita que a tecnologia pode humanizar a atuação médica e o laudo dos pacientes?

—A humanização do atendimento médico passa por uma importante questão, que é enxergarmos melhor nossos pacientes e suas necessidades. Nesse sentido, a IA pode ajudar.

Quando conseguimos oferecer um diagnóstico de forma mais rápida, com segurança, às vezes até antecipando a identificação de uma situação grave que, sem a IA, poderia levar mais tempo para ser diagnosticada, você está, na prática, prestando um atendimento melhor aos pacientes, suprindo com mais eficiência a necessidade diagnóstica deles. Isso, de certa forma, vem de encontro ao que é importante num atendimento humanizado.

 

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Médico do futuro:  como preparar a sua instituição de saúde?

Se a tecnologia ajuda a humanizar o atendimento ao paciente, proporciona mais agilidade e precisão ao laudo, o que as instituições de saúde precisam fazer para aproveitar esses benefícios na radiologia?

É fundamental escolher uma plataforma eficiente para apoiar a decisão clínica dos médicos radiologistas, pois, assim, eles podem fazer escolhas melhores e mais ágeis com base em dados confiáveis, bem como reduzir os erros e melhorar a experiência do paciente.

No entanto, não adianta investir em tecnologia numa instituição sem uma cultura de inovação consolidada. Os profissionais precisam estar cientes das vantagens da IA para seus processos e para o atendimento ao paciente, assim como para a organização onde atuam.

Confira o que o Dr. Mauro Brandão respondeu sobre o tema:

 

4. Quais os primeiros passos para os radiologistas adotarem soluções de IA?

— A adoção da IA não é uma decisão exclusiva do radiologista. Esse processo já está acontecendo, e o radiologista entra como uma parte importante dele. O que é imprescindível nesse processo é o radiologista não temer a IA, nem enxergá-la como algo negativo. Uma vez ouvi um membro do Board da RSNA, Dr. Umar Mahmood, dizer algo muito relevante em uma palestra sobre o tema: “A IA não vai substituir o médico radiologista, em absoluto. Ela pode, sim, vir a substituir o médico radiologista que não se atualizar e não entender a IA”.

 

5. De que forma as unidades de radiologia podem se beneficiar da tecnologia?

— Entendo que as unidades de radiologista ganham mais acurácia e a velocidade diagnóstica com a IA. Ambas as coisas são muito relevantes para uma empresa que atua em DI, não apenas pela questão de custos ou produtividade, mas principalmente para prestar um melhor serviço ao seu cliente — ou, em outras palavras, um melhor atendimento médico aos seus pacientes.

Entendo que atender bem as pessoas é uma meta a ser perseguida por qualquer empresa, de qualquer setor. Então, se a IA ajuda as unidades radiológicas a atingir esse objetivo, isso também é algo positivo.

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Sobre o Dr. Mauro Brandão

Dr. Mauro Brandão é Médico Radiologista da Documenta – Hospital São Francisco e MED – Hospital São Luca – Ribeirão Preto (SP) e presidente da Sociedade Paulista de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (SPR) e especialista em radiologia.

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