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Código de Ética Médica: cuidados essenciais na atuação digital

Por Pixeon e Boa Consulta em 9 de novembro de 2021

Estar presente nas redes sociais exige dos médicos alguns cuidados, considerando o que diz o Código de Ética Médica (CEM) para não agir contra os critérios estabelecidos pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Além de ter conhecimento técnico e científico, os profissionais precisam cultivar uma boa relação com os pacientes e respeitar os limites relacionados à publicidade e marketing.

Desde que foi alterado em 2016, o Código de Ética Médica traz informações quanto ao uso de novas tecnologias na área da saúde, entre elas as mídias digitais como meio de divulgação e publicidade médica. No entanto,  continuam intactos os princípios fundamentais que regem a profissão, como respeito ao ser humano, sigilo das informações e atuação em prol da sociedade, sem discriminações.

A adição do artigo que trata sobre plataformas on-line e o uso de tecnologias no exercício da medicina ocorreu justamente para proteger os princípios da profissão. Produzimos este conteúdo para esclarecer como o Código de Ética Médica atua sobre as redes sociais, além de dar dicas práticas de como utilizar essa estratégia publicitária a seu favor. Acompanhe!

 

Código de Ética Médica: o que ele diz sobre as redes sociais?

O Conselho Federal de Medicina tem duas resoluções que regem o que pode e o que não pode ser feito quando o assunto é publicidade médica e redes sociais. Dentro de seus conteúdos, estão proibições que tratam sobre a autopromoção, sensacionalismo e concorrência desleal entre os profissionais. Em 2016, os critérios de conduta médica nas redes, já estabelecidos em resoluções do CFM, passaram a integrar também o novo texto do Código de Ética Médica.

A primeira delas, a Resolução n. 1.974, de 2011, trata do desaconselhamento expresso da divulgação de imagens do paciente, como “antes e depois”, além de confirmação excessiva do seu serviço como “o melhor, mais completo ou único”, o que é comum em outras áreas de competição comercial.

A regra também diz que o médico está vedado de fazer consultas, diagnósticos ou prescrever medicações por qualquer meio de comunicação em massa ou à distância. Além disso, é recomendado que todas as peças publicitárias contenham dados do médico, seu CRM e Registro de Qualificação de Especialista (RQE). No caso de clínicas ou hospitais, as informações cadastrais sobre o diretor responsável técnico devem estar presentes.

Complementando a legislação anterior, a Resolução n. 2.126, de 2015, é mais específica sobre a ética médica na internet e nas redes sociais.

Neste documento, são estabelecidos parâmetros sobre:

  • publicação de selfies;
  • interação dos profissionais nas mídias digitais;
  • anúncio de técnicas não validadas cientificamente.

Dentro das orientações, estão pontos como a proibição de tirar selfies em situações de trabalho e exposição desnecessária do ato médico, assim como abusos na promessa de resultados milagrosos. Tudo para garantir uma relação de respeito ao paciente e proteção do sigilo médico, que é um dos pilares da medicina.

Ademais, essa resolução também traz orientações sobre as mídias sociais, como Facebook, Twitter, Instagram, YouTube, WhatsApp empresarial, sites e blogs. É vedado ao médico anunciar nesses locais uma especialidade ou área de atuação que não seja qualificada ou não reconhecida perante o Conselho.

Devido ao dinamismo da temática, o CFM montou uma Comissão de Divulgação de Assuntos Médicos, a CODAME, para propor novas propostas e medidas, assim que elas se tornem necessárias.

Dessa forma, o Conselho oferece parâmetros seguros aos médicos quanto à postura ética frente à sociedade, cumprindo, assim, o seu papel perante a Constituição Brasileira de 1988, que inclui a inviolabilidade da vida privada, a honra e o respeito à imagem pessoal.

 

Qual é a relação entre publicidade e código de ética para médicos?

A publicidade é um dos setores mais importantes para uma empresa, visto que, por meio de ações de marketing, é possível captar um número maior de clientes e se destacar no mercado. Na área médica, isso não é diferente. No entanto, as regras são específicas.

O CFM estabelece diversas normas sobre o uso dos meios de comunicação, o que também abrange a presença do profissional nas mídias digitais. Por isso, é primordial seguir a legislação vigente sobre a divulgação de serviços médicos.

Ao seguir as normas, o profissional valoriza a ética médica em suas atividades e pode se proteger de possíveis processos judiciais indenizatórios por danos morais ou materiais decorrentes de abusos. Caso seja reportada a desobediência às regras, por meio de denúncia por terceiros ou não, o médico pode responder perante o Tribunal de Ética do respectivo Conselho Regional de Medicina.

 

É possível construir uma boa imagem do profissional de medicina nas redes sociais?

A credibilidade é um dos pilares na relação entre médico e paciente. Sabendo disso, cultivar práticas que aumentam a confiança das pessoas pelo trabalho do profissional é crucial para ter sucesso. 

Nesse contexto, a presença nas redes sociais é um ótimo recurso para construir a imagem do profissional de medicina. Embora existam diversas normas e resoluções do CFM que regulam e limitam a publicidade médica, isso não significa que o profissional não possa utilizar as redes sociais a seu favor.

Na verdade, é importante que o médico tenha presença nas redes, considerando que, em um mundo cada vez mais conectado, essa é uma das principais formas de divulgar os seus serviços e ser encontrado — especialmente por meio de mecanismos de busca, onde os pacientes têm acesso a dados da formação, local de atendimento e avaliações on-line.

Profissionais da saúde que não estão alinhados com essa estratégia perdem oportunidades promissoras de negócio e correm maior risco de ter agendas cada vez mais vazias, sendo superados pela concorrência.

 

Como médicos podem fazer bom uso das redes sociais

A seguir, listamos algumas dicas para que a visibilidade on-line do profissional seja tão marcante quanto a sua reputação.

 

Conheça o perfil do seu paciente

Saber para quem será direcionada a comunicação das redes sociais é o primeiro passo para definir uma ação de publicidade on-line eficiente. Por isso, antes de mais nada, é preciso definir qual é o perfil de pacientes da clínica. Isso vai influenciar diretamente na linguagem utilizada, no tipo de conteúdo publicado e até mesmo nos horários em que os posts serão feitos.

Não faz sentido, por exemplo, fazer uma live no meio da tarde se os pacientes são na maioria adultos que trabalham durante o horário comercial, ou usar uma linguagem despojada e informal se os pacientes são pessoas mais conservadoras.

 

Compartilhe conteúdos de qualidade

Na internet, os pacientes querem ter acesso a informações relevantes e que contribuam para a manutenção de sua qualidade de vida. Portanto, é essencial oferecer conteúdos médicos que atendam esse objetivo nas redes sociais.

À imagem do profissional devem estar relacionados posts interessantes sobre cuidados com a saúde e bem-estar, assim como prevenção de doenças. É possível, inclusive, fazer parcerias e contato com outros profissionais para produzir um conteúdo ainda mais rico. O médico deve aplicar os seus conhecimentos e demonstrar autoridade nos conteúdos disponibilizados on-line. Dessa forma, mostra aos pacientes como está preparado para atendê-los.

 

Tenha uma rotina de postagens

Para consolidar a presença do médico na internet, é preciso manter uma constância nas postagens. Ainda que o profissional não tenha muito tempo para se dedicar ao marketing médico, é muito importante que os conteúdos na rede sigam uma lógica, ou seja, as postagens podem ser diárias, em dias alternados ou semanais.

Fazer muitos posts em um mesmo dia ou passar semanas sem publicar nada prejudica a fidelização dos pacientes e aumenta a chance de que a clínica seja esquecida pelos pacientes em potencial.

Por isso, elabore um calendário com os dias em que serão feitas as postagens e atente-se aos conteúdos publicados para evitar repetições. Você pode, por exemplo, fazer matérias especiais todas as quartas-feiras e uma live para tirar dúvidas às sextas.

 

Deixe sua marca

Investir em uma logo com nome do profissional, do consultório ou da clínica é uma das formas mais eficientes de destacar o perfil profissional nas redes digitais. Ele funciona como uma assinatura nas postagens.

Procure um estilo elegante, que chame a atenção e que seja fácil de ser lembrado. Assim, tudo o que for postado ou compartilhado nas páginas será positivamente associado à credibilidade do trabalho do profissional.

 

Mantenha um padrão

As postagens devem ser padronizadas, de forma a serem marcantes e memoráveis. Por isso, crie um estilo, escolha uma paleta de cores e tenha uma linguagem clara e acessível, que marque a sua personalidade nas publicações.

Elementos visuais também são importantes para que as pessoas se sintam mais próximas e reconheçam a qualidade do seu conteúdo no primeiro olhar. Isso é muito importante na hora de estabelecer uma primeira interação com o paciente.

 

Conte com a ajuda de especialistas

O ideal é trabalhar com uma equipe de publicidade com experiência em redes sociais. Contar com designers e profissionais especializados em postagens publicitárias para fazer essa tarefa é o segredo para melhorar o engajamento com os pacientes e deixar a rotina do médico mais leve.

Desde que as normas do Código de Ética Médica sejam seguidas corretamente, não há problema algum que a presença nas mídias digitais seja administrada por outras pessoas.

 

5 práticas on-line que prejudicam a carreira de acordo com o Código de Ética Médica

Manter um comportamento inadequado nas redes sociais pode afetar seriamente a imagem de um profissional e da sua clínica. Pensando nisso, trouxemos a seguir 5 atitudes que devem ser evitadas na rede para que a sua credibilidade não seja comprometida.

 

1. Diagnosticar ou prescrever medicamentos nas redes sociais

Exercer a função médica por meio da rede, seja dando um diagnóstico, seja fazendo a prescrição de medicamentos, é uma prática proibida pelo Código de Ética Médica. O profissional não pode nem mesmo divulgar preços de consultas e procedimentos nas mídias. 

Lembre-se sempre que o principal objetivo das redes sociais é promover a interação por meio de conteúdos interessantes que estimulem o engajamento com os pacientes. No que se refere aos diagnósticos e tratamentos, eles devem ficar reservados para o consultório médico.

 

2. Prejudicar a imagem de outro profissional

As redes sociais devem ser utilizadas por profissionais de medicina para promover a credibilidade e atrair mais pacientes para o consultório. Mas isso não significa que pode ser usado qualquer recurso para atingir esses objetivos. 

Um exemplo é prejudicar a imagem de outro profissional da área para tirar vantagem na concorrência. Essa atitude é uma prática de concorrência desleal que pode se voltar contra o profissional, visto que os pacientes podem entender a mensagem de forma muito negativa.

 

3. Postar conteúdos pessoais

Misturar a vida pessoal com a profissional nunca é uma boa ideia. Por isso, o American College of Physicians (ACP) orienta que médicos e outros profissionais da saúde criem perfis separados.

Assim, ele pode compartilhar fotos de passeios com a família e opiniões sobre política, religião e outros assuntos polêmicos no seu perfil pessoal — preferencialmente fechado para pessoas próximas —, reservando a página profissional para tratar apenas de conteúdos sobre a área médica. Além disso, é importante investir em conteúdos pagos nas redes para impulsionar a página profissional.

 

4. Divulgar imagens de pacientes

Essa é outra proibição do Código de Ética Médica que pode prejudicar a imagem e vida profissional de médicos. A divulgação de imagens médicas pode resultar em processos judiciais impostos pelos pacientes expostos, além de demissão de clínicas e hospitais que não querem seus nomes associados a práticas antiéticas.

 

5. Publicar conteúdos médicos imprecisos

A maioria das pessoas tem o hábito de buscar informações sobre sintomas e doenças na internet antes de procurar um médico. Por isso, o profissional tem a responsabilidade de compartilhar apenas conteúdos confiáveis, visto que isso interfere na saúde e bem-estar dos pacientes. 

Antes de compartilhar qualquer notícia ou artigo, é fundamental verificar as fontes e a veracidade das informações com outros colegas da área. Caso contrário, o paciente pode perder a confiança e buscar auxílio médico com outro profissional.

 

Respeito às regras: ética e credibilidade

As redes sociais já se tornaram um requisito quando o assunto é construir uma imagem profissional de confiança. Portanto, antes de dar início aos posts, conheça as normas do Código de Ética Médica, publicado pelo Conselho Federal de Medicina, que é responsável pela fiscalização e normatização da profissão.

Os médicos devem ter muito cuidado ao se expor na internet, pois isso interfere diretamente na credibilidade, na confidencialidade, na responsabilidade e no sigilo médico, conceitos muito valorizados na medicina. 

Além disso, seguir as regras é primordial para se proteger de ações judiciais e julgamentos perante o Tribunal de Ética do Conselho Regional de Medicina. Tendo respeito à legislação, estar presente na internet só agrega vantagens. 

Assim como o Código de Ética Médica, os profissionais de saúde devem estar atentos a medidas de compliance, especialmente considerando o uso de tecnologia na clínica. Saiba como garantir o bom andamento das soluções tecnológicas na sua instituição.

As maiores preocupações em compliance na saúde com empresas de tecnologia

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