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Pacientes críticos: como a telemedicina facilita o acompanhamento clínico

Por Dr. Eliezer Silva em 10 de novembro de 2021

O cuidado de pacientes críticos exige uma série de ações e protocolos específicos, afinal, tratam-se de pacientes instáveis e que correm risco de vida. Por isso, a prática da telemedicina pode soar um pouco estranha nesses casos, tanto para profissionais da área médica quanto para o público. Em geral, boa parte da medicina remota está ligada à saúde básica ou de baixa complexidade, e aos atendimentos que não requerem exames clínicos.

Mas, será que dentro de um espectro de doença grave e de pacientes críticos, existe espaço para a telemedicina? Se sim, qual é o impacto do teleatendimento no tempo de permanência e nos desfechos?

Minha história com a viabilização da telemedicina no contexto de UTIs começou em 2012, como gestor da Unidade de Pacientes Graves do Albert Einstein. Em parceria com o Ministério da Saúde, criamos um projeto para monitorar remotamente pacientes graves em unidades de pronto atendimento e terapia intensiva em hospitais públicos de todo o Brasil, sobretudo onde nem sempre é fácil haver intensivistas e recursos. 

Desde então, sabíamos da importância do que fazíamos para o futuro. Anos depois, com a pandemia da Covid-19 e a pressão sobre as UTIs, toda a trajetória que já tínhamos na telemedicina se mostrou fundamental. Agora, temos uma clareza maior sobre o tipo de medicina que se pode entregar a distância aos pacientes críticos. 

É essa experiência e seus resultados que quero compartilhar com você neste artigo.

 

Telemedicina no cuidado de pacientes críticos: como começamos

A experiência brasileira com telemedicina no cuidado de pacientes críticos é baixíssima. Faltam modelos assim como parâmetros para a decisão sobre sua implementação. E como os custos dessa virada são consideráveis, errar pode gerar grandes prejuízos.

Então, como começar a provisionar serviços a distância no contexto da UTI? Começando por outro setor.

No nosso projeto, iniciamos com o suporte à decisão médica em urgência e emergência, seguimos com a teleneurologia em unidades de urgência e emergência sem neurologia e, depois de consolidar essas experiências, criamos a teleUTI em 2015.

Na época, nossos objetivos eram:

  • criar um roteiro de visitas horizontais (rounds);
  • uniformizar a conduta: reduzir a variabilidade do cuidado e canonizar boas práticas de atendimento;
  • facilitar a transferência de conhecimento: criar um ambiente para compartilhamento de know-how, experiências e informações;
  • registrar recomendações pactuadas durante a visita: promover a qualidade e a segurança do cuidado;
  • criar um dashboard para acompanhamento on-line: prover profissionais com uma plataforma que centralizasse informações como anamnese dos pacientes críticos, resultados de exames, assim como todo o fluxo de acompanhamento; 
  • fazer registro diário do Score SOFA;

Com isso, esperávamos melhorar os resultados tanto em prognósticos e desfechos como em redução de desperdícios e uso racional de recursos, gerando valor em saúde para instituições, equipes de UTI e pacientes.

Assista ao vídeo “TeleUTI: como tratamos pacientes críticos a distância”.

 

TeleUTI: como tratamos pacientes críticos a distância

Na teleUTI, profissionais experientes do Albert Einstein trabalham em parceria com os intensivistas in loco, desde a admissão até a alta do paciente da UTI, em visitas horizontais, terapia nutricional e consulta com especialistas.

Baseados em protocolos e no fluxo de atendimento do Albert Einstein, assim como nas informações centralizadas na plataforma, criamos junto aos profissionais na ponta tanto a estratégia diagnóstica quanto o plano terapêutico de pacientes críticos

Durante a permanência dos pacientes críticos, as visitas remotas são feitas diariamente, para a checagem de cada órgão e sistema. No dia a dia, usamos equipamentos criados especialmente para facilitar a mobilidade e garantir a qualidade de áudio e vídeo no teleatendimento.

Com a pandemia da Covi-19, a teleUTI mostrou-se particularmente útil, dado o cenário de UTIs lotadas. Nosso protocolo foi atualizado para acompanhar as particularidades do atendimento aos pacientes e levou suporte às regiões afastadas. 

 

Impactos da telemedicina no cuidado a pacientes críticos

Como comprovamos os resultados da telemedicina no cuidado a pacientes críticos e seu impacto para redução de tempo de permanência e nos desfechos clínicos? 

De fato, os estudos existentes ainda são poucos e inconclusivos, embora apontem para uma direção otimista, em que há diminuição de tempo de permanência e de mortalidade em terapia intensiva. Nossa própria experiência com teleUTI mostra isso. Porém, queremos saber exatamente em quanto.

Para cobrir essa lacuna, estamos fazendo o Telescope Trial. Nosso estudo compara UTIs remotas com UTIs tradicionais. São coletados dados de 30 UTIs SUS e 20.000 pacientes envolvidos até o final de 2021, o que torna o Telescope Trial o maior da área no mundo.

Caso os impactos sobre a qualidade sejam comprovadamente positivos, teremos um modelo que poderá surtir resultados ainda maiores, como facilitar o acesso de pacientes graves, sobretudo de regiões remotas, a médicos especializados.

 

Pacientes críticos: todas as ferramentas em prol do cuidado

Costumo frisar que a telemedicina não se confunde com uma simples videoconferência. É mais que isso: uma forma nova de entregar cuidado à saúde. Portanto, de entregar medicina. Só que por meio de ferramentas que aproximam pessoas. 

Dentro dessa visão, o cuidado de pacientes críticos na teleUTI torna-se uma possibilidade de alto impacto, sobretudo para regiões afastadas e em momentos de crise como a pandemia da Covid-19.

Demonstrada a necessidade de ter tecnologia a serviço do atendimento médico também para pacientes críticos, o trabalho de inovação em saúde continua. Como vimos, na ponta do atendimento, precisamos de profissionais bem treinados em protocolos de atendimento em ambientes de telemedicina, para que quaisquer limitações do modelo sejam percebidas e solucionadas. 

E por fim, em termos de sistemas, precisamos de plataformas de telemedicina seguras, que garantam a privacidade de dados, disponibilidade e alto desempenho.

Quer saber mais sobre teleconsultas? Suas aplicações, estrutura exigida e vantagens desse modelo de atendimento? Então, acesse o material a seguir e conheça a Teleconsulta Pixeon: sistema completo para o atendimento a distância com segurança.


Sobre o autor
Eliezer Silva é um dos maiores nomes da telemedicina no Brasil. Médico formado pela Universidade Federal de Santa Catarina, construiu uma carreira de sucesso em um dos hospitais mais renomados do país, o Hospital Israelita Albert Einstein, onde é Diretor de Medicina Diagnóstica e Ambulatorial e responsável pelos projetos de telemedicina na instituição. É conselheiro da Pixeon e é amante das atividades físicas, da meditação e da música.
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