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Tendências de medicina diagnóstica e radiologia

Por Walmoli Gerber Jr (Físico Médico e Dir. Executivo da BrasilRad) em 29 de agosto de 2017

medicina diagnóstica

 

No artigo “O segmento da medicina diagnóstica no Brasil”, de Leandro Martins, a medicina diagnóstica é definida como uma série específica de habilidades médicas dedicadas aos exames que complementam e dão auxílio ao diagnóstico. O que engloba desde atividades laboratoriais, até por imagem e outros que tenham como finalidade o diagnóstico. Na década de 90, houve fatores que fizeram o setor prestar atenção em novidades do mercado e na própria regulamentação. Entre as causas, é possível citar o aumento do consumo em geral, o surgimento de novos modelos de negócio e o aumento de investimentos em serviços.

 

Antes de abordar as tendências e como será o futuro, é interessante analisar um pouco da história da medicina diagnóstica. Desta forma, consegue-se identificar padrões de desenvolvimento ou de ocasiões que proporcionam inovações no segmento. No artigo de Martins, fala-se em como a medicina deu os primeiros passos, num período derradeiro do século XIX. O propulsor foi o crescimento de disciplinas correlacionadas, como química e fisiologia, além da aquisição do microscópio.

 

No Brasil, em 1892, há o marco do diagnóstico de peste bubônica na saúde pública no porto de Santos, em São Paulo. A revolução da medicina diagnóstica se dá com grande ajuda dos exames laboratoriais que, em conjunto com os exames de imagem, mudaram conceitos e evoluíram tecnologias. A partir disso, houve a descoberta do raio X, ultrassonografia, ultrassom, tomografia e ampliando os campos da medicina no aperfeiçoamento dos diagnósticos.

 

Desde o último século, a radiologia tem passado por diversas inovações e aperfeiçoamentos. Os equipamentos se tornam mais sofisticados, com mais qualidade de imagens e, proporcionalmente, mais precisão no diagnóstico. Na década de 50, no Brasil, realizaram cerca de 60 modalidades de exames de medicina diagnóstica. De 1960 em diante, a evolução foi grande, começando com os primórdios da automatização. Em 70, o número de modalidades cresceu para 500. Pulando para 2006, o número cresceu para duas mil espécies.

 

O que podemos aprender com a história sobre as tendências de medicina diagnóstica e radiologia? A busca pelo conhecimento e as modalidades de serviços tendem a crescer cada vez mais. A inovação não para e é preciso estar atento, pois uma tendência de hoje pode significar mais de mil adeptos num futuro muito próximo. A tecnologia está sendo cada vez mais incorporada pelos profissionais da saúde. O objetivo é o que motiva o crescimento da saúde, no entanto, é o mesmo: mais precisão e segurança para o paciente.

 

Do passado para o futuro: tendências para medicina diagnóstica e radiologia

 

O foco no paciente, como dito, é mais do que tendência, mas uma obrigação. Contudo, como funciona na realidade? Pensando em individualidades, dificuldades e oportunidades. No caso de pacientes obesos, por exemplo, as máquinas de ressonância e tomografia não atendiam fisicamente os pacientes. Era desconfortável ou impossível de realizar os procedimentos. Hoje, tornou-se um padrão de tecnologia de fabricantes, equipamentos com abertura maior e robustez em relação ao peso.

 

A relação com software é inevitável e completamente sem volta. O que é bastante positivo para a medicina diagnóstica. Com novos sistemas é possível realizar exames específicos. Nisso, o processamento de imagens progride na mesma escala. A tendência é que a automatização se torne mais e mais completa em várias modalidades da medicina diagnóstica e na radiologia, tal como em outras especialidades. Para isso, os softwares precisam evoluir ao ponto de fazer uma análise muito mais eficiente.

 

A medicina diagnóstica e a radiologia é baseada no conhecimento de padrões. Quando se pensa em machine learning e big data, esbarra-se com conceitos similares. O aprendizado das máquinas com a retenção de dados se tornam informação e, por final, em inteligência. Os padrões serão reconhecidos mais facilmente e, consequentemente, com mais agilidade.

 

A centralização dos serviços é tendência em determinados serviços, como a operação remota de equipamentos e o laudo remoto. Atualmente, é possível ter um espaço em uma cidade com mais de 60 ressonâncias do Brasil inteiro, por exemplo. Não há mais muros geográficos. É nesta questão que entra um insight para atualização de conhecimento: é preciso de qualificação para acompanhar os fatores tecnológicos.

 

Estudar a tecnologia antes dela ser implementada. O que muitas vezes acontece é que a capacitação ocorre quando o sistema já está rodando ou, num caso mais grave, não há atualização de nenhuma forma. A qualificação de equipes remotas cada vez mais especialistas está no topo das dicas para a área de saúde. As matérias a serem atualizadas e estudadas vão desde o processamento de imagem até a anatomia, pois estão cada vez mais atrelados ao uso de softwares.

 

As tecnologias que estão surgindo em outras áreas e os experimentos na própria saúde, mesmo que em outros países, não devem ser ignorados. Como há uma grande relação com o desenvolvimento dos softwares, é fundamental conhecer sobre Big Data, capaz de dar o suporte para sistemas de cirurgia mais precisos a partir da qualidade das imagens. O mesmo pode ser dito da Impressão 3D. Embora não tão difundida no Brasil, é uma tecnologia que está inovando e avançando em descobertas e eficiência na medicina diagnóstica e radiologia.

 

Basta imaginar uma Impressão 3D na radiologia. Com as imagens reconstruídas em 3D, o médico cirurgião poderá consultar e estudar mais detalhadamente antes do procedimento. As próteses personalizadas em 3D são uma consequência da evolução de uma imagem obtida por meio de uma ressonância, tomografia, etc.  

 

Do outro lado, o paciente mudou também de comportamento. Com a comunicação e as informações mais disponíveis virtualmente, o paciente consegue se informar sobre os processos dos exames e como são feitos. Por isso, há uma crescente preocupação com a dose de radiação recebida em cada exame. Na Europa, é obrigatório informar a dose recebida. É uma tendência que se tornará uma prática no Brasil.

 

Nisto, os equipamentos estão e irão se tornar mais sofisticados sobre o uso da radiação. Há ainda uma padronização necessária do Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP), pois os equipamentos devem estar preparados para incluir a dose recebida pelo paciente em seu PEP. O paciente está mais informado, quer saber sobre os equipamentos de proteção individual (EPI), quantidade de radiação de cada exame, etc. O que fará repensar na quantidade de exames solicitados. O que reflete tanto na saúde quanto na economia.

 

Na relação com o paciente e dentro da mudança de comportamento, a humanização ocupa um lugar especial. Não apenas na relação médico e paciente, mas da mesma forma na preocupação com a preparação do ambiente. Deixar para trás uma imagem fria dos hospitais e clínicas e fazer com que a pessoa se sinta mais confortável. Exames como ressonância magnética que são de longa duração, precisam ambientar o local e torná-lo receptivo.

 

Um ponto de atenção e que deve ocorrer em algum momento é a regulamentação das unidades móveis de radiologia no Brasil. São meios necessários e que trazem muitos benefícios. Por isso, precisam de uma regulamentação que garanta boas práticas, segurança e manutenção. Dessa forma, poderão continuar a fornecer acesso para a população.

 

Os equipamentos móveis são importantes ainda nos hospitais, pois são tecnologias que podem se locomover dentro dos setores para realizar uma imagem. Com as tecnologias móveis, é possível construir as salas híbridas, em que várias tecnologias de imagem conseguem trabalhar juntas. O paciente não precisará sair da sala para utilizar outro equipamento.

 

A automatização será uma força imensurável no futuro. Uma aposta são os laudos automatizados, com o diagnóstico feito pela máquina e o laudo da patologia entregue pronto. Por fim, espera-se que as tendências caminhem para o lado da redução até a eliminação do uso de radiação ionizante. Seria considerado o estado da arte e pode estar logo ali, no futuro próximo.

 

As tendências serão disruptivas e causarão um impacto gigantesco nas instituições de saúde. Tendo como ponto de referência as tendências da medicina diagnóstica e radiologia, é hora de pensar numa possível remodelação de negócio.

Qual sua opinião sobre as tendências de medicina diagnóstica e radiologia? O quão perto ou longe se está de cada uma delas? Deixe a sua opinião em nossos comentários.

 

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